Sextou – e se já fosse fim de semana?

Michele

Sextou – e se já fosse fim de semana?

Hoje é sexta-feira, e que tal se não tiver de trabalhar? E se a jornada terminasse na quinta? A semana de quatro dias vai se tornar realidade em 2023 em Portugal. Pelo menos essa é a expectativa do governo, que pretende iniciar em janeiro do ano que vem um projeto piloto, envolvendo tanto o setor público quanto o privado. O projeto foi elaborado pelo professor da Universidade de Londres, Pedro Gomes, que é também autor do livro intitulado Sexta-feira é o Novo Sábado.

Aliás, a semana reduzida está sendo testada em Portugal pela iniciativa privada, mesmo antes das propostas do governo. Na semana passada, uma empresa de tecnologia do setor gráfico iniciou a semana de 4 dias, juntando-se a outras quatro que já oferecem aos colaboradores essa possibilidade.

O assunto não é novo. A Islândia estuda esse formato desde 2015. Mas a cada dia, novos países entram para a lista dos locais que estão a testar uma jornada de trabalho a menos. A proposta é a redução da jornada de trabalho sem corte de salário, em uma perspectiva de que é possível alcançar os mesmos resultados em menos horas. O estudo se justifica pela análise do desempenho que diz que o ser humano necessita de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, ter boa saúde mental e estar feliz com as tarefas que desenvolve para atingir os níveis máximos de produtividade.

Especialistas em produção e recursos humanos vem analisando as experiências pelo mundo. A semana de quatro dias ganhou expressão nos últimos dois anos, e um dos fatores foi o a pandemia de Covid-19, que trouxe a necessidade do trabalho remoto e de novas formas de pensar a jornada de trabalho. Os Emirados Árabes foram o primeiro país a adotar integralmente a semana de quatro dias, na Bélgica é possível escolher se quer fazer o trabalho em quatro ou cinco dias. Na Islândia, estudos realizados mostraram manutenção e até aumento da produtividade, impacto positivo no bem estar dos colaboradores e ajuda a evitar a síndrome de Burnout – esgotamento e desmotivação profissional –, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde em 2019. No Brasil, algumas empresas, principalmente no setor de tecnologia, estão experimentando e outros países estudam formas de implementação da semana de quatro dias.

O projeto divide opiniões. Há receio de alguns de que haja redução da produtividade. Há expectativa de outros que aumente a produção e seja viável e rentável. Não é uma coisa simples como: vamos aumentar o fim de semana!!! Estudos e experimentos precisam mostrar que a proposta traz benefícios para todos os envolvidos: manutenção da produtividade, bem estar dos colaboradores, redução de custos para as empresas em termos energéticos, adequação das leis trabalhistas, questões jurídicas… e para trabalhos que exigem a presença do funcionários sete dias por semana? Uns terminam a semana na quinta e outros iniciam na terça? Enfim, é uma nova possibilidade, sobre a qual ainda vai ser necessário refletir, experimentar, corrigir, adaptar… mas que é interessante, isto é, digo eu!

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